Vereadora Roberta do Enfrente apresenta Moção de Repúdio às falas em sala de aula do professor da UniFio Fábio Pinha Alonso

A parlamentar ressaltou que não se trata de linchamento virtual ou cancelamento gratuito a questão da fala do professor da UniFio, mas sim uma questão que precisa ser debatida pela sociedade

30/04/2021

Durante a 12ª Sessão Ordinária, realizada na última segunda-feira (26), a vereadora Roberta do Enfrente fez um pronunciamento referente à Moção de Repúdio que apresentou devido às falas em sala de aula do professor da UniFio Fábio Pinha Alonso.

 

Hoje apresentamos uma nota de repúdio às falas do professor da UniFio, que segundo nota da universidade está afastado. Esse caso que foi exposto na grande mídia, causou grande comoção aqui na cidade e, justamente, neste fim de semana tivemos a notícia do feminicídio da cabeleireira Claudia Valéria de Oliveira de 42 anos de idade, morta com golpes de faca dentro de sua casa, sendo o principal suspeito, seu ex-marido. Foi assassinada dentro do seu lugar seguro ou que deveria ser seguro para todas as mulheres, mas muitos não são”, relatou a parlamentar.

 

Roberta ressaltou que não se trata de linchamento virtual ou cancelamento gratuito a questão da fala do professor da UniFio, mas sim uma questão que precisa ser debatida pela sociedade. “Temos a Frente Parlamentar da Mulher dessa Casa, espaço de debate sobre os direitos das mulheres, então, precisamos debater sobre a violência de gênero, esse assunto precisa estar em pauta aqui na Câmara. Nenhum exemplo em sala de aula, em conversas formais ou informais, deveria ser a partir da culpabilização da vítima, ainda mais em um país que, conforme dados do Instituto Patrícia Galvão, a cada nove minutos uma mulher é vítima de estupro, a cada um dia, três mulheres são vítimas de feminicídio e a cada dois minutos uma mulher registra agressão sob a Lei Maria da Penha. Os números são alarmantes e as discriminações associadas às mulheres que sofrem violência são um grande entrave para a garantia e efetividade dos direitos”.

 

A vereadora contou que recebeu muitos áudios e ligações com relatos de alunos e ex-alunos sobre esses tipos de exemplos em sala de aula. “Não foi uma fala isolada. Muitos questionaram o porque só agora com o vídeo os alunos estão se manifestando, mas se mesmo com vídeo muitos dizem que é mimimi, imagina sem as imagens. As mulheres sempre tem as falas desacreditas e não podemos mais permitir isso”.

 

Roberta também falou sobre a naturalização da cultura do estupro. “Não podemos naturalizar a cultura do estupro e da violência contra as mulheres. As vítimas de feminicídio ou de violência não colaboram com o crime, o exame de culpabilidade deve ser feito a partir da conduta do agressor e não da conduta da vítima. O tamanho da saia, o lugar onde a vítima está ou ainda o que uma mulher fala não se constitui como um atenuante para ser utilizado como exemplo. Em um curso de graduação, que formará os futuros operadores do Direito, é preciso que seja debatida a violência contra as mulheres a partir da ótica do sistema de garantias de direito e da construção de políticas públicas para proteção. Existem inúmeras outras formar de exemplificar a violência, não precisa ser pela culpabilização da mulher”.

 

Por fim, a vereadora parabenizou o grupo de alunas que estão construindo um coletivo. “Parabéns às alunas que estão construindo o Coletivo Feminista Carolina Maria de Jesus, justamente para ampliar esse debate na Universidade. O debate sobre os direitos das mulheres e da não violência. A culpa não é da vítima”.