Câmara Municipal faz audiência pública com Superintendente da SAE

Os vereadores discutiram assuntos relacionados à falta de água em alguns bairros de Ourinhos, as atuais necessidades no abastecimento de água, tratamento de esgoto e a situação do aterro sanitário

11/09/2018

Foi realizada nesta segunda-feira, 10, durante a 30ª Sessão Ordinária audiência pública com Marcelo Simoni Pires, Superintendente da SAE – Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos. A convocação do Superintendente à Casa Legislativa foi um pedido do vereador Edvaldo Lúcio Abel (PSDB), feito através do requerimento nº.1.865/2018, com a finalidade de se obter explicações sobre sua pasta.

Os vereadores discutiram assuntos relacionados à falta de água em alguns bairros de Ourinhos, as atuais necessidades no abastecimento de água, tratamento de esgoto, a situação do aterro sanitário, além de questionamentos frequentemente solicitados pelos munícipes, referentes aos serviços e tarifas da SAE. "Somos muito cobrados pela população que pergunta o porquê de vários dias de falta de água, como aconteceu no final de 2017 nos bairros como Jardim Matilde e Jardim Itamaraty", disse o vereador Vadinho.

O Superintendente da SAE falou que a falta de água ocorrida nessas regiões foi ocasionada pelo problema de uma bomba danificada e substituída por outra com desempenho abaixo da original, até que esta fosse consertada. "Houve uma oscilação de energia em que a bomba queimou e tivemos que locar outra que veio de Bauru, mas com capacidade inferior. Hoje,o equipamento original já está trabalhando para abastecer esses locais porque a bomba consertada foi recolocada em julho", explicou Marcelo.

Medição da água perdida

O vereador Mário Sérgio Pazianoto (PRB) destacou a importante função social da SAE no gerenciamento da água, esgoto, lixo e varrição em Ourinhos e comentou que problemas são comuns de acontecerem como é o caso da perda de água tratada. "Cerca de 60 % da água capitada e tratada pela SAE se perde na rede de distribuição devido ao longo período de sua existência, são 56 anos. Qual o planejamento da SAE para melhorar essa perda demasiada de água?"

Marcelo enfatizou que há muita coisa a melhorar, principalmente na parte da infraestrutura do abastecimento de água. "Com relação à perda de água precisamos medir o que está sendo perdido e hoje o sistema não possui nenhum equipamento para medir vazão, os medidores de grande porte. O primeiro passo é adquirir esses medidores para constatar se realmente essa água está sendo perdida. A SAE estará dentro de 3 a 4 meses comprando esses equipamentos e se for constatada essa perda, aí sim é preciso realizar uma fiscalização e controle dos nossos micro medidores porque nossos hidrômetros não possuem manutenção há mais de 20 anos, sendo que a lei obriga esse controle a cada cinco anos."

A dúvida da vereadora Raquel Spada (PTC) também foi sobre a quantidade da água tratada que é perdida. "Esses medidores que estão em fase de compra poderão ajudar a identificar se essa perda da água tem relação com ligações clandestinas?"

"Na realidade esse medidores, os macro medidores, vão possibilitar que se meça o que é produzido e distribuído. Comparando com o que a SAE mede no hidrômeto é que vai se obter o volume correto do que não é cobrado e aí sim tem que ser feita uma verificação se existem ligações clandestinas, erros na leitura dos macro medidores. Então seria muito leviano afirmar que aqui tem muita gente roubando água, é preciso ter certeza do que está acontecendo," falou o Superintendente.

Rompimentos nas tubulações

O vereador Anísio Felicetti (PR) comentou que na região da Vila Brasil existe a falta de água constantemente. "Sabemos que existem muitos canos danificados, fala-se que devido à pressão do bombeamento que causa esses rompimentos e o mais agravante é que os vazamentos ocorrem sempre nos mesmos locais. Existe algum planejamento para sanar essas rupturas nas tubulações?"

"Para resolver definitivamente esse tipo de problema o que precisa ser feito é um projeto básico para a distibuição de água em Ourinhos. O projeto que existe hoje na SAE é de 1962 e só foram feitas ampliações. Por ser um projeto antigo, foi previsto um sistema de abastecimento direto das sangrias da adutora, onde ocorre a maior pressão com uma tubulação de 50 anos atrás que precisa ser setorizada para diminuir a pressão, um trabalho de médio prazo", disse o Superintendente da SAE.

Aumento na tarifa

O vereador Flávio Ambrozim (PMDB) questionou o Superintendente em relação ao aumento das taxas cobradas nos últimos meses. "O esgoto era cobrado 50% do valor da água, hoje houve o aumento para 70%. Existem ainda os aumentos no preço da tarifa da água o que tem provocado a insatisfação dos moradores de Ourinhos, principalmente quando ocorre a falta de água. Eram mesmo necessários esses aumentos para a nossa população?"

Marcelo disse que é feito um cálculo para reajustar as tarifas cobradas pela SAE. "Quando eu assumi a SAE a taxa cobrada do esgoto já era de 70%. O que eu posso te dizer é que a empresa pública não pode visar o lucro e tudo o que é gerado é para ser revertido para a SAE. O estudo do aumento é feito pela correção da inflação adicionado do investimento e pelo o que eu sei a SAE só fez a correção até porque não teve nenhum investimento."

Coleta Seletiva e aterro sanitário

Uma das preocupações citadas pelo vereador Cido do Sindicato (PSD) foi a questão do lixo. "Como está a relação da SAE com a cooperativa da coleta seletiva do lixo ?", perguntou o vereador. "A Recicla presta um serviço de reciclagem do lixo e a SAE começou a verificar a execução desse serviço, do contrato, e constatou alguns problemas. A renovação do contrato foi feita por mais 6 meses porque existe uma exigência legal quanto à cooperativa. Para ela ser beneficiada com a dispensa de licitação, ela deveria ser composta por coletores de lixo registrados na Prefeitura," explicou Marcelo.

O vereador Alexandre Enfermeiro (PSD) pediu para que Marcelo falasse também sobre a situação do aterro sanitário em Ourinhos. "O aterro sanitário na cidade está operando com uma liminar que pode cair a qualquer momento. Já fizemos um pedido de licenciamento para um novo aterro e algumas soluções estão sendo estudadas há mais de dez meses porque muitos empecilhos vão surgindo, como por exemplo, com o comando aéreo devido a área escolhida ser próxima de aeródromo. O projeto do aterro existe já foi aprovado mas não podemos ficar apoiados em uma única alternativa, estamos vendo a possibilidade de se realizar transbordo para aterros licenciados na região", disse o Superintendente.

Caio Lima (PSC) perguntou sobre a área escolhida para o aterro. "Onde seria essa área a ser instalado o novo aterro sanitário de Ourinhos?" Marcelo respondeu que é uma área de 14 alqueires adquirida durante a gestão anterior e localizada próxima à Granja Hattori.

Abastecimento de água

Alexandre Enfermeiro destacou que o debate foi importante para o esclarecimento das dúvidas que existem em relação ao serviços da SAE e aproveitou o momento para saber sobre o abastecimento de água na região do Moradas Ourinhos. "Sabemos que vão ser inauguradas cerca de 500 casas no Residencial Ecoville, numa área alimentada pelo poço São João. Pode haver problema no abastecimento da água para essa novo condomínio localizado numa região que já sofreu com a falta de água no final do ano passado?"

O Superintendente Marcelo respondeu que o problema da falta de água ocorrido na época foi devido a uma intervenção indevida, segundo denúncia feita na SAE, pelos próprios moradores do bairro abastecido pelo poço São João. "Se a SAE emite um parecer garantindo condições de abastecimento antes da construção desse condomínio é porque ela vai ter. Todo empreendimento tem que passar pela SAE e se existe a condição de abastecer é liberada essa interligação na nossa rede. No caso desse condomínio, ele encontra-se interligado e entendo que se a SAE deu a certidão, a liberação, ela deve ter previsto sim o abastecimento daquela localidade."

Qualidade da água

Uma preocupação que sempre é discutida na cidade é sobre a água consumida e a sua possível relação com doenças. O vereador Caio Lima questionou o Superintendente da SAE quanto ao amianto presente nas tubulações. "O senhor sabe precisar, em porcentagens, quanto de amianto que faz parte das tubulações em Ourinhos?"

Marcelo disse que não possui números exatos de quanto amianto existe, e que o problema da contaminação do amianto acontece durante a sua produção, durante o seu manuseio. "Depois que o tubo está produzido, a substância então estabilizada, não oferece o mesmo risco que pode levar a um processo cancerígeno. Essas tubulações de cimento amianto existem praticamente em todo o país porque na época ainda não existiam tubos de PVC."

O vereador Éder Mota (PSC) perguntou se existe a possibilidade de se fazer uma análise da água fornecida pela SAE. Marcelo explicou que a água consumida em Ourinhos passa por controles que garantem a responsabilidade com a saúde pública. "Eu bebo a água da SAE e eu como engenheiro sanitarista tenho que trabalhar com rigidez e compromisso com a saúde. Se existe alguma dúvida em relação às propriedades da água, não é a SAE que deve analisar, teria que partir da vigilância sanitária, por exemplo, verificar."

O Presidente Alexandre Dauage (PRB) finalizou o debate com um questionamento solicitado pelos múnícipes que acompanhavam a audiência pública "Alguns moradores próximos ao corpo de bombeiros, no Jardim Paulista, reclamam da falta de água em horários específicos como às nove horas da manhã e da noite. Por quê acontece isso?

"Realmente ali é uma zona alta da cidade e se tem problema de falta de água aqui na SAE ou se é feito uma manobra pra atender, por exemplo, o lado do poço São João, Jardim São Silvestre ou Minas Gerais a gente verifica que nas residências daquela região que não possuem reservatórios acontece a falta da água durante esses períodos de manobras, em que a água é fechada e mandada para esse locais com problemas. Por um determinado tempo, o morador tem água na caixa d'água mas não tem da rua," explicou Marcelo.